Pôster da série The Boys
Tempo de Leitura: 3 minutos

Caféinados, existe uma série que eu e o Diego ficamos adiando, adiando, adiando… até que numa sexta-feira chuvosa em Campos do Jordão a gente decidiu dar uma chance. Olha, começo sendo honesta: The Boys me conquistou de verdade — e também me decepcionou no final. Cinco temporadas, 2019 a 2026, Amazon Prime Video. Vou contar tudo.

A trama

Em um universo onde super-heróis existem de verdade, eles não são os salvadores que você imagina. São funcionários da Vought International, uma megacorporação que vende a imagem dos “supers” como produto enquanto encobre abusos, crimes e mortes. Do outro lado da moeda está The Boys: um grupo de vigilantes civis liderados por Billy Butcher (Karl Urban), um britânico raivoso e traumatizado que odeia supers com uma intensidade que beira o patológico. A faísca que junta o grupo é Hughie Campbell (Jack Quaid), um jovem comum cuja namorada é morta acidentalmente por um herói em alta velocidade — e que nunca recebe sequer um pedido de desculpas da Vought.

A série é baseada nos quadrinhos de Garth Ennis e Darick Robertson, adaptada por Eric Kripke, o mesmo criador de Supernatural. A premissa é irresistível: e se o poder corrompe absolutamente, inclusive os que deveriam nos proteger?

Os personagens e as atuações

É impossível falar de The Boys sem falar de Antony Starr como Homelander. O ator neozelandês entrega uma das performances mais perturbadoras da TV nos últimos anos. Homelander é Superman se nunca tivesse tido amor — narcisista, infantil, aterrorizante e, de algum jeito torto, patético. Você o odeia e quase sente pena ao mesmo tempo.

Karl Urban como Butcher é o contraponto perfeito: bruto, engraçado, destruído por dentro. Jack Quaid conduz a série como nossa bússola moral. E o trio Frenchie (Tomer Capone), Kimiko (Karen Fukuhara) e Mother’s Milk (Laz Alonso) tem uma química que aquece o coração — mesmo quando tudo ao redor está explodindo literalmente.

O que a série fez de melhor (e o que perdeu)

As primeiras temporadas de The Boys tinham uma assinatura única: violência inteligente e perturbadora. Não era sangue pelo sangue — era sangue com significado. Cada cena absurda tinha um comentário social embutido. O capitalismo corporativo, a celebridade como anestesia, o fascismo mascarado de patriotismo. Sério, tinha episódios que eu precisei pausar pra processar o que tinha acabado de ver.

Mas a quinta e última temporada me decepcionou. Senti que perderam exatamente isso — trocaram a violência inteligente por cenas de luta rápidas e clichês de ação genérica. A nudez e as provocações, que antes serviam a algum propósito narrativo ou satírico, foram ficando cada vez mais gratuitas, claramente ali só pra gerar hype e engajamento nas redes. Quando você começa a usar o choque como substituto da substância, alguma coisa se perdeu no caminho.

O final (com spoilers!)

Homelander morre — Kimiko usa seus poderes em modo explosivo e Butcher finaliza com um crowbar no crânio. O Deep tem um fim poético envolvendo criaturas do mar (sim, um polvo, obviamente). Frenchie morre antes do finale. E o golpe mais doído: Hughie mata Butcher, planejado desde o início segundo Kripke.

A ideia do final — “o sistema ganhou” — era ousada. A Vought se reorganiza, a vida segue quase igual, sem vitória limpa. Gostei da coragem disso. Mas a execução não estava à altura das primeiras temporadas. Faltou aquela densidade, aquela camada que fazia você rolar os olhos internamente por dias. Chegou, resolveu, fechou. Meio nhé.

Teoria cafeinada

E se Homelander foi criado para falhar? A Vought sabia que um super criado em isolamento total, sem afeto, se tornaria instável. A teoria é que eles nunca quiseram um Homelander controlável — eles queriam o caos controlado. Um vilão que servisse de desculpa para a corporação nunca abrir mão do poder. Enquanto existe um monstro, existe justificativa para a Vought existir. O real produto deles nunca foram os heróis. Foi o medo.

Conclusão

The Boys começou ótima, foi muito bem nas temporadas do meio, e tropeçou na linha de chegada. Ainda assim, é uma série que vale cada minuto — especialmente as três primeiras temporadas, que são televisão de altíssimo nível. Diego e eu não nos arrependemos de ter assistido. Só ficamos com aquela sensação de “podia ter sido ainda melhor”.

3,5 xícaras de café ☕☕☕½ — porque as primeiras temporadas merecem 5, e a última merece 2. A média fica no meio-termo.

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