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A trama

John Cutter (Wesley Snipes) era o melhor especialista antiterrorismo do país, até a esposa morrer refém de um assalto qualquer — e ele desistir de tudo pra virar instrutor de segurança de companhia aérea, um trabalho sem risco, sem glória e sem dor. Um amigo o convence a assumir o cargo de consultor de segurança de uma grande empresa aérea. Pra confirmar o posto, precisa pegar um voo até Los Angeles. Nesse mesmo voo, sob custódia, está sendo transferido Charles Rane, o sequestrador de aviões mais procurado dos Estados Unidos. Rane assume o controle da aeronave, mata parte da tripulação, e Cutter — sentado anonimamente na poltrona 57 — vira a única coisa entre o sequestro e a tragédia.

Os personagens

Wesley Snipes carrega o filme sozinho, no auge da fase que o transformou em ícone de ação nos anos 90 — o tipo de presença que faz você torcer mesmo sem o roteiro pedir muito esforço pra isso. Bruce Payne interpreta um vilão britânico raivoso e over-the-top, do tipo que hoje vira meme mas na época era pra ser ameaça de verdade. Tom Sizemore é o amigo que arrasta Cutter de volta ao jogo, Elizabeth Hurley aparece num papel pequeno de cúmplice, e o resto do elenco existe basicamente pra morrer em intervalos regulares e manter o ritmo lá em cima.

As falhas que a gente perdoa

Não vou fingir que Passageiro 57 é bem escrito. Tem furo de roteiro toda hora, continuidade que não fecha, cena que existe só pra encher tempo de tela — o clássico “recém-nomeado VP de segurança de uma companhia aérea” que, por algum motivo, está sentado na econômica esperando o problema acontecer bem do lado dele. Ninguém foi ver esse filme atrás de lógica interna. As críticas da época foram mistas por um motivo justo — mas o público lotou os cinemas mesmo assim, porque bilheteria e crítica raramente estão do mesmo lado quando o assunto é ação pura.

Teoria cafeinada

Minha teoria: filme como esse não sobrevive pela qualidade — sobrevive pela função. Passageiro 57 existia pra cumprir um papel muito específico na tarde de sábado do SBT antigo: entregar aquela raiva gostosa, a adrenalina barata que não pede nada de você além de torcer pro mocinho e vaiar o vilão em voz alta. A gente não revisita esse tipo de filme pra analisar roteiro. Revisita pra sentir de novo aquilo — o prazer de passar raiva sabendo que no fim vai dar tudo certo. É nostalgia disfarçada de ação, e funciona até hoje exatamente por isso.

Conclusão — nota em xícaras

Tecnicamente, é fraco. Emocionalmente, é uma máquina do tempo. Passageiro 57 não é o filme que você defende num debate sério sobre cinema — é o filme que você revê com um sorriso torto, sabendo exatamente o que vai encontrar e gostando assim mesmo. Nota: ☕☕½ (2,5 de 5) — dessas notas baixas que a gente dá com carinho, porque o filme cumpriu exatamente o que prometeu.

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