
Eu precisava falar sobre isso antes que a quarta temporada chegue e eu esqueça o quanto a terceira me deixou com aquela sensação específica de quem tomou um espresso duplo e a cafeteira acabou antes da hora.
A trama
O Arco do Jogo do Abate — ou Culling Game, se você preferir o nome original — é basicamente um battle royale sobrenatural em escala nacional. Kenjaku, aquele vilão repugnante que vive trocando de corpo faz séculos, colocou o Japão inteiro dentro de um jogo mortal. As regras são simples e horríveis: feiticeiros e humanos com técnicas malditas recém-despertas precisam lutar, acumular pontos e sobreviver. A alternativa? Morte automática por violar as regras.
Enquanto o mundo desmorona ao redor deles, Yuji e seus aliados têm um objetivo claro: encontrar uma forma de libertar Gojo do Prison Realm — sim, o homem mais poderoso do anime estava literalmente preso numa caixa desde o fim de Shibuya — e deter Kenjaku antes que o jogo elimine o que sobrou da humanidade.
É caos organizado. É perturbador do jeito certo. E a MAPPA entrega a ambientação com uma paleta de cores sombria que faz você sentir o peso de cada cena.
Os personagens
Yuji Itadori está num ponto de ruptura nessa temporada. Depois de Shibuya — depois de tudo que ele viu, fez e sobreviveu — ele continua de pé, mas diferente. Mais pesado. Ver isso animado, com aqueles silêncios deliberados que a MAPPA usa melhor do que qualquer estúdio no momento, machuca de um jeito bom.
Megumi Fushiguro finalmente ganha o espaço que merecia há temporadas. O arco dele na T3 é denso, cheio de escolhas morais impossíveis, e vai deixar você com um nó no estômago que você não consegue desfazer. Não vou spoilar, mas… você foi avisada.
Yuta Okkotsu — para quem não assistiu Jujutsu Kaisen 0, vai lá antes de qualquer coisa — entra como uma das peças mais intrigantes do Jogo do Abate. Frieza calculada, poder assustador, e uma lealdade que você não sabe bem se deve confiar. A dualidade dele é o tipo de coisa que fica na cabeça depois que o episódio acaba.
E aí tem Hiromi Higuruma. Um dos personagens novos mais fascinantes que já encontrei em qualquer anime recentemente. Advogado brilhante, moralmente destruído, com uma técnica maldita que é literalmente um tribunal do inferno. Eu precisaria de um post inteiro só pra falar dele — e talvez um dia eu faça isso.
O peso de 12 episódios para um arco enorme
Aqui a gente precisa ser honesta: a temporada terminou num cliffhanger cruel, cobrindo apenas a primeira metade do Culling Game. São 12 episódios para um arco que no mangá se estende por mais de sessenta capítulos. É ousado. É arriscado. E a MAPPA sabe exatamente o que está fazendo ao cortar onde cortou.
Não é que ficou ruim — ficou incompleto. Tem momentos de animação absolutamente absurdos (o legado de Shibuya ainda paira sobre tudo como uma sombra de qualidade que intimida), mas quando o encerramento chegou, eu e o Diego nos entreolhamos tipo “é isso? acabou?”. Aquela sensação de série que termina no meio de uma frase.
A quarta temporada vai precisar entregar. E vai precisar entregar grande, porque o nível de expectativa que essa terceira criou é alto demais pra decepcionar.
Teoria cafeinada
Kenjaku não é só um vilão. Ele é um espelho do próprio sistema de Jujutsu — usa as regras, as hierarquias e as fraquezas institucionais para destruir por dentro. O Jogo do Abate não é um jogo de força bruta. É um jogo de controle de informação e de manipulação de sistemas.
Minha teoria: o objetivo final de Kenjaku não é matar feiticeiros. É forçar uma evolução acelerada da humanidade, eliminando os “ineficientes” e criando uma nova geração de usuários de técnicas malditas. Ele não quer dominar o mundo — quer reiniciar a espécie.
E o mais perturbador? É possível que ele esteja certo sobre o que a humanidade precisa — mesmo sendo um monstro. Esse é o tipo de vilão que dói porque a lógica dele tem uma estrutura interna coerente. Você não concorda, mas entende. E isso é muito mais assustador do que um mal sem justificativa.
Conclusão — nota em xícaras ☕
Jujutsu Kaisen 3 é uma temporada que incomoda do jeito certo, mas deixa um gosto de “quero mais” amargo demais. Não por falha narrativa — a história está fortíssima, os personagens estão nos melhores momentos, a animação continua sendo referência. O problema é o corte abrupto de um arco que ainda tem muito a dizer.
12 episódios para o Culling Game é como tomar um espresso double quando você precisava da cafeteira inteira. Gostoso, mas insuficiente.
Imperdível para fãs — mas prepare o coração para esperar pela T4.
☕☕☕☕ — 4 de 5 xícaras.
