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A segunda temporada de Avatar: A Lenda de Aang caiu hoje na Netflix — e eu fui direto. Sete episódios, tudo de uma vez, como deve ser.

A primeira temporada tinha seus problemas: ritmo apressado, bending que parecia CGI de 2012, e aquela sensação constante de que o roteiro estava correndo demais pra chegar em algum lugar. Ainda assim, funcionou o suficiente pra me fazer querer a T2. E a T2 chegou com a promessa mais tentadora de toda a história: Toph Beifong entra em cena.

A trama

A temporada segue o Arco da Terra da animação original — o que já é um desafio imenso, porque o Livro 2: Terra é considerado, por consenso quase unânime do fandom, a melhor temporada de toda a série. É lá que a coisa fica séria de verdade: Ba Sing Se, a conspiração do Long Feng, os Guerreiros Kyoshi, a Azula infiltrada, o Zuko errando de novo, e aquele final que a gente nunca esquece.

A Netflix pegou tudo isso, comprimiu em sete episódios de uma hora cada, e entregou uma temporada que, sim, é melhor que a primeira. O problema é que “melhor que a T1” ainda não é bom o suficiente quando o original é esse.

A grande virada acontece em Ba Sing Se — a cidade que esconde segredos e onde o rei não quer saber de guerra. A conspiração do Long Feng com os Dai Li está bem construída aqui, talvez o arco mais coeso da temporada. A sensação de claustrofobia e paranoia que a cidade deveria transmitir aparece em momentos, some em outros.

Os personagens

Toph (Miya Cech) — a grande estrela desta temporada e, honestamente, o maior motivo pra assistir. Miya entrega uma Toph que é teimosa, engraçada e surpreendentemente vulnerável. A produção foi a fundo: consultores de deficiência visual, 20 pares de pés de mentira pra ela sentir o chão como a personagem sentiria. O resultado aparece. Toph é a alma desta temporada, e Miya carrega isso nos ombros.

Azula (Elizabeth Yu) — boa. Não no nível da animação, onde Azula era uma das melhores vilãs da história da TV infantil, mas Yu entrega uma Azula fria e calculista que funciona. A cena em que ela encontra o Aang pela primeira vez é um dos melhores momentos da temporada.

Ty Lee e Mai (Momona Tamada e Thalia Tran) — bem-vindas! As duas entram bem, têm química com a Azula e com o elenco em geral. Ty Lee rouba cenas facilmente.

Zuko (Dallas Liu) — segue o arco mais doloroso da série: o menino que continua errando quando deveria acertar. Dallas Liu tem dado o melhor de si, mas o roteiro às vezes apaga camadas importantes do personagem pra ganhar tempo.

Aang, Katara e Sokka — o trio principal continua cumprindo papel. Gordon Cormier ganhou confiança na pele de Aang. Sokka segue sendo o alívio cômico que a série precisa.

A temporada mais difícil de adaptar

O Livro 2: Terra da animação não é só uma história de ação. É um estudo sobre sistemas de poder que corrompem, sobre gente boa tomando decisões erradas, sobre como a esperança se apaga devagar — até que o final chega e a mata de vez, num golpe só.

A Netflix tentou. Não conseguiu tudo.

O maior problema continua sendo o ritmo. Sete episódios de uma hora comportam muita coisa — mas a animação original tinha 20 episódios de 22 minutos pra construir cada personagem, cada arco, cada detalhe que tornava o final devastador. Aqui a gente sente o corte o tempo todo. Personagens que deveriam ter três episódios pra crescer têm um.

E o bending — ah, o bending. Às vezes parece teatro de improviso com efeito visual jogado em cima. Em alguns momentos funciona, especialmente com a Toph. Na maioria das vezes ainda parece que o orçamento foi pra outro departamento.

O que a série acerta: a confiança crescente na própria identidade. A T2 não tenta mais imitar a animação quadro a quadro. Ela sabe que é outra coisa. Às vezes isso é libertador. Às vezes faz falta o original de um jeito que dói.

Teoria cafeinada

O final desta temporada replicou a pancada do original: Aang entra no Estado Avatar, Azula o atinge enquanto ele está vulnerável. Ele cai. O ciclo dos Avatares pode ter chegado ao fim.

Minha teoria: a T3 vai explorar a ideia de que Aang precisa morrer de verdade pra renascer completo — não só fisicamente, mas como Avatar. Aquele momento de queda vai ser o divisor entre o Aang menino e o Aang que finalmente aceita o peso do que ele é. A animação fez isso de forma mais sutil. A Netflix vai precisar fazer de forma mais explícita, mais visual. E acho que vai funcionar porque Gordon Cormier finalmente tem maturidade pra carregar isso.

Conclusão — ☕☕☕ de 5

Avatar: A Lenda de Aang Temporada 2 é uma melhoria real em relação à primeira. Toph é impecável. Ba Sing Se está lá, com seus segredos e sua paranoia. O final entrega a pancada que prometia.

Mas o Livro 2: Terra da animação é uma obra-prima que provavelmente não tem adaptação possível à altura. Não porque a Netflix seja incompetente — é porque o original é extraordinário.

Vale assistir? Vale. Vai me fazer querer a T3? Com certeza. Vai me fazer largar a animação? Jamais.

☕☕☕ (3 de 5 xícaras)

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