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Eu deixei o filme mais importante da franquia pro final. Depois de rever Aniquilação, o reboot de 2021 e a sequência mais recente, voltei pro início — o Mortal Kombat de 1995. E não existe jeito educado de dizer isso: é o melhor de todos. Não tem “pra época”, não tem “considerando o orçamento”. É perfeito.

A trama

O mito é simples e funciona há mil anos de tradição fictícia: um torneio decide o destino de reinos. Outworld já venceu nove Mortal Kombat seguidos contra a Terra — o décimo é a fatalidade final, a invasão. Lorde Raiden, deus do trovão, recruta três lutadores pra impedir isso: Liu Kang, monge carregando culpa e vingança; Johnny Cage, astro de Hollywood que ninguém acredita ser lutador de verdade; e Sonya Blade, agente especial caçando o próprio inimigo pessoal dentro do torneio de Shang Tsung. Chegam na ilha, sobem de fase, enfrentam chefe atrás de chefe. É estrutura de video game traduzida pra estrutura de filme sem tradutor no meio — e funciona exatamente por isso.

Os personagens

Christopher Lambert é Raiden, e ninguém chegou perto depois dele. Risada esquisita, sotaque de lugar nenhum, presença de divindade grega perdida em corpo mortal — ele não interpreta o personagem, ele autoriza a existência dele. Cary-Hiroyuki Tagawa rouba toda cena como Shang Tsung: o melhor vilão que essa franquia já botou numa tela, sem concorrência até hoje. Robin Shou dá dignidade de artista marcial de verdade pro Liu Kang (porque é artista marcial de verdade), Linden Ashby acerta o equilíbrio arrogante-carismático que o Johnny Cage sempre pediu, e Bridgette Wilson segura a Sonya Blade com uma dureza que não precisa de discurso pra convencer.

E tem o Goro: boneco animatrônico de quatro braços, operado por dezesseis pessoas, que travava e superaquecia o tempo todo — e mesmo assim é exatamente o monstro que todo mundo lembra do fliperama. Detalhe que prova o nível de cuidado da produção: entrevistaram fã de verdade do jogo antes de filmar, e uma pergunta repetida de criança — se o Goro “tinha bola” — virou literalmente uma cena do roteiro. Talisa Soto completa o time como Kitana, presença curta mas que já planta a semente pro que a franquia ia explorar depois.

Como Mortal Kombat venceu onde os outros perderam

Um ano antes, Street Fighter tinha acabado de afundar a credibilidade do gênero. Dois anos antes, Super Mario Bros. tinha sido um desastre tão grande que até hoje serve de estudo de caso do que não fazer. Mortal Kombat entrou em produção sabendo que precisava ser diferente — e a diferença não veio de roteiro genial, veio de compromisso físico. As filmagens na Tailândia só eram acessíveis de canoa. Robin Shou quebrou três costelas lutando com o Reptile. Linden Ashby urinou sangue por dias depois da cena com o Scorpion. Bridgette Wilson fez as próprias cenas de ação e deslocou o ombro no set.

Isso não é curiosidade de bastidor pra encher matéria — é prova de que aquele elenco levou luta a sério, e isso aparece na tela quadro a quadro. O resultado: orçamento de 20 milhões de dólares virou 122 milhões no mundo todo, três semanas seguidas no topo das bilheterias americanas. A crítica especializada não perdoou — ficou em 33% no Rotten Tomatoes — mas quem pagou ingresso deu nota B+ no CinemaScore. Esse descompasso conta a história inteira: quem estava de fora do fandom não entendeu o que estava vendo, quem estava dentro reconheceu a tradução perfeita.

Teoria cafeinada

Depois de revisitar a franquia inteira nas últimas semanas, minha teoria é essa: quanto mais um filme de Mortal Kombat tenta parecer “cinema sério”, mais ele perde força. Aniquilação errou tentando ser rápido e barato. O reboot de 2021 acertou o tom mas segurou a mão em alguns momentos. O de 1995 nunca hesitou: abraçou o congelamento de tela no nome de cada lutador, colocou o grito “MORTAL KOMBAT!” direto da propaganda do videogame na trilha sonora, e não teve vergonha de efeito prático parecer efeito prático. Ele não tentou ser melhor que o jogo. Tentou ser o jogo, em tela grande. E é exatamente por isso que, trinta anos depois, continua sendo o parâmetro: respeito ao material de origem envelhece bem. Ironia hollywoodiana, não.

Conclusão

Não tem ressalva aqui, nem vou fingir que tem. Revi a franquia inteira pra chegar de novo no início e a conclusão é a mesma de sempre: esse aqui é o melhor. É o filme que qualquer adaptação de game deveria estudar antes de gastar o primeiro centavo de orçamento.

Nota: ☕☕☕☕☕ (5/5) — perfeito, sem discussão.

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