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Cresci ouvindo “FINISH HIM” antes de saber exatamente o que aquilo significava. Então, quando a Warner anunciou esse reboot, eu tava na torcida — mas com o pé atrás, porque a franquia já tinha me decepcionado no cinema antes (Aniquilação existe, gente, e um dia eu conto essa história aqui). Terminei o filme com o coração batendo mais rápido do que esperava. Não é perfeito. Mas é, sem dúvida, o Mortal Kombat mais fiel que a gente já viu na telona.

A trama

Cole Young (Lewis Tan) é lutador de MMA e nem imagina que carrega, desde o nascimento, uma marca em forma de dragão que o liga a um torneio milenar entre reinos. Quando Sub-Zero — um criomante de Outworld enviado pelo feiticeiro Shang Tsung — aparece pra matá-lo, Cole foge com a família e corre atrás de Sonya Blade, que rastreia esse mesmo símbolo há anos. O caminho leva a Jax e, depois, ao templo do deus Raiden, protetor da Terra, onde guerreiros marcados treinam pra defender o realm antes que Outworld invada de vez. É ali que Cole aprende a diferença entre carregar a marca e ter um arcana — o poder especial que separa quem só luta de quem realmente vence.

Os personagens

O maior acerto de elenco é Joe Taslim como Sub-Zero: frio, letal e rápido demais até pra câmera acompanhar — o diretor teve que pedir pra ele desacelerar os golpes porque o ritmo real quebrava os takes. Ele rouba toda cena em que pisa. Josh Lawson equilibra o filme como Kano, com humor grosseiro no tom certo, sem virar palhaçada. E Hiroyuki Sanada, como Hanzo Hasashi/Scorpion, tem pouquíssimo tempo de tela, mas carrega o prólogo — ambientado no Japão de 1617 — com um peso emocional que o resto do filme passa o tempo todo tentando alcançar.

Aqui entra minha ressalva maior: Cole Young. O problema não é o Lewis Tan, que entrega o que o roteiro permite — é a decisão de criar, do zero, um personagem que nunca existiu em nenhum jogo da franquia pra carregar o posto de protagonista numa história cheia de ícones com quase 30 anos de estrada. Funciona como porta de entrada pra quem não manja do game. Mas é, de longe, o personagem menos interessante da própria jornada dele. E o Goro? Um dos vilões mais queridos da franquia aparece em cena por tempo curto demais pra tudo o que ele representa. Dava pra render muito mais.

Bastidores de sangue de verdade

Depois de tentativas capengas nos anos 90, esse reboot foi o primeiro Mortal Kombat a tratar a violência do jogo como parte da identidade da franquia, não como problema a esconder. A primeira versão do filme chegou a ser classificada NC-17 antes dos ajustes pra liberar a classificação R — e dá pra sentir esse compromisso em cada Fatality na tela.

Tem dedicação de verdade sustentando isso: Hiroyuki Sanada jogou os games pra se preparar, perdeu praticamente toda partida, mas usou a derrota pra estudar a lore e o personagem. As filmagens rodaram em Adelaide, na Austrália, com orçamento de US$ 55 milhões, e Outworld foi construído dentro de uma mina de carvão abandonada, a Black Hill Quarry. Explica a sensação de peso e sujeira que o filme carrega — nada parece feito em estúdio limpo demais.

Teoria cafeinada

Minha teoria é que Cole Young nunca foi pra ser o protagonista de verdade — ele é só o crachá de visitante. O filme abre e fecha com Scorpion. É o prólogo de Hanzo Hasashi perdendo a família pro Sub-Zero em 1617 que dá o tom emocional de tudo, e é o retorno dele — já como Scorpion, já com a vingança pronta pra ser cobrada — que fecha o arco de pé. Cole existe pra te segurar até esse momento. O verdadeiro filme, disfarçado de origin story genérica, é a vingança do Scorpion. E acho que o roteiro sabia disso o tempo inteiro.

Conclusão

Duas ressalvas pontuais não seguram o resultado. É um reboot que entendeu o que a franquia é, tratou os fãs com respeito e devolveu o sangue pro lugar certo. Cole Young sem brilho e Goro subaproveitado são falhas reais, mas pequenas dentro de um filme bonito, bem filmado e genuinamente empolgante — já resenhei a sequência aqui no blog, e o roteiro só melhora a partir daqui.

Nota: ☕☕☕☕ de 5

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