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O que aconteceu

Três dias depois da estreia de “The Ghost in the Shell” na Prime Video, em 7 de julho, a internet já tinha decidido cancelar a Science SARU. O estopim foi uma comparação viral: a cena icônica em que a Major Kusanagi desativa o camuflado óptico só pra revelar que foi ela quem assassinou o diplomata corrupto, antes de mergulhar do prédio e sumir na noite. A versão nova, mais colorida e leve, foi colocada lado a lado com a do filme de Mamoru Oshii, de 1995. Resultado: parte dos fãs saiu gritando “aguaram a franquia” e “censuraram o clássico”.

Por que isso importa

Porque essa nova série nunca teve a intenção de repetir o filme de 95. É a primeira vez que um anime de Ghost in the Shell parte direto do mangá original de Masamune Shirow, de 1989 — a mesma paleta vibrante, a mesma Kusanagi mais solta e emotiva que o Oshii deixou pra trás quando decidiu contar a história em tom filosófico e melancólico, em menos de duas horas de filme. O problema é que aquele filme virou tão icônico que uma geração inteira aprendeu a tratar o tom sombrio dele como “o verdadeiro GITS” — quando ele sempre foi só uma leitura possível entre várias (a própria Stand Alone Complex fez o caminho dela).

O que a comunidade está dizendo

Dividida. Uma parte do público bate de frente, chamando a mudança de traição ao DNA da franquia. Do outro lado, crítica especializada — caso do Brett Cardaro, da CBR, que classificou a série como “o anime mais overhated de 2026” logo depois do primeiro episódio — argumenta que o ódio está mirando a comparação errada. Tem até quem aponte que o anime mais odiado da temporada nem é esse: “Chainsmoker Cat”, comédia sobre uma gata viciada em cigarro, está dividindo os fóruns japoneses por motivos bem mais escatológicos.

O que esperar a partir de agora

Episódios novos toda terça-feira na Prime Video. O segundo episódio já está sendo apontado como o momento em que a narrativa de “censura” desmorona — a Science SARU não está cortando conteúdo, está distribuindo o ritmo de um jeito diferente do que o filme fez espremido em menos de duas horas. A tendência é o debate esquentar episódio a episódio, puxado principalmente por quem chega esperando ver o Oshii de novo e sai frustrado por não ter recebido exatamente isso.

Opinião cafeinada

Comparar as duas versões pelo mesmo espelho é o erro clássico de quem confunde a adaptação mais famosa com a obra original. O filme de 95 é genial — mas é uma leitura, não a escritura. Se a Science SARU está resgatando a Kusanagi do mangá, mais humana, mais irônica, menos estátua grega, isso não é traição, é arqueologia. Quem já sentenciou a série com um episódio no ar devia esperar a temporada inteira antes de cravar o caixão. Ódio de primeira impressão é a coisa mais fácil de errar o alvo que existe.

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