
O que aconteceu
Novembro de 2023: a Warner Bros. Discovery pega Coyote vs. Acme pronto, com orçamento de 70 milhões de dólares, e decide que ele vale mais como prejuízo contábil do que como filme. David Zaslav manda trancar numa gaveta pra virar dedução fiscal de 30 milhões. Ninguém fora do estúdio viu um segundo de imagem. Não foi pra streaming, não foi vendido, simplesmente sumiu.
Passa quase três anos. Em 12 de agosto de 2026 saem as primeiras notas da crítica especializada: o filme estreia com 100% no Rotten Tomatoes e se estabiliza em 94%, um dos títulos mais bem avaliados do ano. Chega aos cinemas em 28 de agosto.
Por que isso importa
Coyote vs. Acme não é só o Papa-Léguas virando comédia de tribunal (Wile E. Coyote processa a ACME depois de anos de produto que explode na cara dele, Will Forte como advogado fracassado, John Cena como CEO vilão). É a prova documentada de que um estúdio errou feio ao tratar filme pronto como linha de planilha.
O caso virou o estopim de uma desconfiança generalizada em cima da Warner Bros. Discovery: diretores chegaram a cancelar reunião com o estúdio com medo do próprio projeto virar prejuízo fiscal, e um deputado americano comparou a decisão a incendiar um prédio pra receber o seguro. A Warner tentou apagar o filme do mapa. O filme voltou e trouxe nota de crítico pra provar que a conta não fechava.
O que a comunidade está dizendo
A campanha #SaveCoyoteVsAcme não esfriou depois do cancelamento, ela segurou até a Ketchup Entertainment comprar o filme por cerca de 50 milhões de dólares em março de 2025 (a mesma distribuidora que resgatou Do Dia em Que a Terra Explodiu, outro Looney Tunes que a Warner ia jogar fora). Quem brigou pela liberação por quase três anos agora lê crítico chamando o filme de “o mais engraçado de 2026 até aqui” e de versão levemente sombria de Quem Quer Matar Roger Rabbit.
Nem todo mundo entrou no coro. A Variety achou o roteiro capado perto dos Looney Tunes clássicos, a Screen International chamou o texto de fraco. Duas vozes discordantes afogadas num mar de aplauso.
O que esperar a partir de agora
A estreia mundial é dia 28 de agosto. Se sustentar os 94%, vira o argumento mais forte contra a lógica de cancelar filme pronto por imposto, prática que assombra Hollywood desde Batgirl. E aumenta a pressão em cima de outros estúdios sentados em cima de projeto acabado que nunca sai da gaveta.
Opinião cafeinada
Gritei “libera o Coyote vs. Acme” pra tela do computador tantas vezes em 2024 que perdi a conta. Torço miseravelmente pra esse filme estourar bilheteria só pra doer em quem achou que dava pra apagar Looney Tunes sem ninguém notar. A crítica confirmando com 94% é o tipo de vitória que fã nenhum tinha certeza que ia ver acontecer.
